Custo de oportunidade: saiba tudo sobre o assunto

A vida é feita de escolhas e, no mundo dos negócios, isso não é diferente. É justamente disso que se trata o chamado “custo de oportunidade”. Mesmo não estando familiarizado com o termo, você provavelmente se depara com ele todos os dias.

Por exemplo, ao se formar na faculdade, o que é mais vantajoso: usar seu tempo para fazer uma especialização ou então tentar a sorte no mercado de trabalho? Cada uma das opções apresenta uma perda. Na primeira, a vantagem de estar à frente dos seus competidores com o conhecimento extra adquirido, na segunda, dos recursos e experiência de um trabalho fixo.

Até mesmo em situações aparentemente banais, o custo de oportunidade está presente. Como quando você precisa decidir se faz uma viagem no final de semana ou então guarda aquele dinheiro para uma necessidade futura.

Em resumo, o custo de oportunidade é o benefício que você perdeu ao fazer uma escolha em detrimento de outra.

Quando o assunto é tempo e dinheiro, é sempre bom ter em mente quais os custos que estarão envolvidos em suas escolhas. Continue lendo este artigo para entender como o custo de oportunidade é geralmente aplicado no mercado financeiro.

O que é custo de oportunidade?

Acima, nós já falamos um pouco sobre o conceito de custo e oportunidade, mas como exatamente ele se aplica à economia?

A resposta é muito simples, na verdade. No dia a dia das empresas, por exemplo, o empresário deve decidir entre investir em um equipamento mais caro, medindo qual o retorno real que essa compra trará para a sua produção ou, então, na contratação e investimento de uma verba em marketing.

Também não é difícil perceber que esse conceito está intrinsecamente ligado à ideia de escassez na economia, que trata do equilíbrio entre disponibilidade de um produto e demanda, o que influencia diretamente no valor desse. Até que ponto vale a pena investir na maior produção de um insumo, por exemplo, se isso irá impactar negativamente o seu preço e vice-e-versa?

Na gestão pública, esse é um problema recorrente também. Por exemplo, ao decidir pela preservação de um terreno de floresta, você contribui para resultados ambientais ao longo prazo, mas perde o dinheiro que poderia ser gerado da exploração econômica daquela área. Ou, ao decidir se um determinado espaço público será destinado à construção de um hospital, de uma escola, um centro cultural, ou se será vendido para amortizar as dívidas da Prefeitura.

No mundo financeiro, você tem de lidar com custo de oportunidade toda vez que decide fazer um investimento no lugar de outro. Isso ocorre quando você decide tirar o dinheiro da poupança e aplicar em um investimento com maior rentabilidade, mas também maior risco, por exemplo. Ou, então, quando você decide por comprar ações de uma determinada empresa ao invés de outra, ou de um título público.

Dentro desse contexto, existe uma série de indicadores que podem ser usados para contabilizar o custo oportunidade, como o CDI e a taxa Selic, por exemplo.

A importância do custo de oportunidade

No mercado financeiro, é sempre importante levar em conta todas os fatores que podem afetar positiva ou negativamente a sua escolha por uma ou outra aplicação, entre eles, claro, o custo de oportunidade.

Sem ele, pode até ser que você consiga tomar decisões acertadas vez ou outra, porém, de modo geral, a tendência é que esse comportamento impulsivo te coloque em enrascadas.

Não existe exatamente certo ou errado ao falar em planejamento financeiro, mas sim o que se adequa mais a seus objetivos de médio e longo prazo e ao seu perfil de investidor. É importante sempre analisar as vantagens e desvantagens de cada investimento e o que você perde ao optar por um ao invés de outro.

Tipos de custo de oportunidade.

  • Custo de oportunidade oculto: Como o próprio nome já diz, é aquele custo que está camuflado em determinado investimento e, portanto, não pode ser mensurado. Ele pode se referir a taxas inerentes a um investimento ou a fatores externos que podem influenciar no seu rendimento.
  • Custo de oportunidade aberto: Diferentemente do anterior, esse tipo de custo é passível de mensuração prévia pelo investidor. É um custo do qual você já possuiu ciência ao realizar determinada transação.
  • Custo de oportunidade ambiental: Esse custo está relacionado ao limite de exploração de um determinado recurso natural. Por exemplo, a utilização de um rio para o descarte de detritos irá impossibilitar o uso comercial daquela água. A queima de um combustível fóssil como o petróleo ou o álcool irá impedir que esses insumos sejam utilizados na fabricação de produtos.
  • Custo de oportunidade contábil: Está relacionado ao quanto de seu capital ou lucro uma empresa deverá sacrificar ao realizar uma determinada transação ou investimento.

Custo de oportunidade na prática

Abaixo, você encontra alguns exemplos práticos em que deve ser considerado o custo de oportunidade.

Ao decidir entre adquirir um imóvel à vista ou a prazo, por exemplo, você deve mensurar, de acordo com o seu perfil financeiro, se vale a pena despender todo aquele dinheiro de uma vez, o que pode gerar falta de recursos futuros, ou então optar por um financiamento, sendo que este último pode elevar em várias vezes o valor inicial do imóvel, devido aos juros e correções.

Outro exemplo é a hora de optar por uma renda fixa ou variável. Na renda fixa, você corre menos riscos e pode contar com uma determinada quantia de dinheiro em um período pré-estabelecido. Ela oferece mais segurança, entretanto, ao optar por ela, você abrirá mão de opções muito mais rentáveis.

Nesses casos, como dito anteriormente, o mais importante é avaliar qual o seu perfil de investidor e quais os seus objetivos para com aquele dinheiro.

Como o custo de oportunidade é calculado?

O cálculo do custo de oportunidade varia de acordo com a situação que se pretende avaliar. No mercado financeiro, via de regra, são utilizados dois indicadores, a taxa Selic e o CDI.

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela que norteia as aplicações de renda fixa.

O CDI, Certificado de depósito interbancário, está vinculado às oscilações da taxa Selic. Com isso, é ele que norteia o rendimento de investimentos como as Letras de Câmbio e os CDBs.

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